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“Daniel Blaufuks utiliza no seu trabalho a fotografia e o vídeo, apresentando o resultado através de livros, instalações e filmes. Os seus temas de predileção são a ligação entre o tempo e o espaço e a representação da memória privada e pública.”

É assim que se apresenta, no seu site oficial, o fotógrafo português, nascido em Lisboa em 1963, Daniel Blaufuks. Oriundo de uma família de refugiados judeus alemães e polacos, mudou-se para a Alemanha em 1976 regressando já em 1983 a Portugal. Existe pouca informação disponível sobre o fotógrafo e o mesmo recusou-se a uma entrevista, porém pelo que se pode ler na sua página oficial na internet a sua formação dividiu-se entre a AR.CO, Lisboa (1989), o Royal College of Arts, Londres (1993) e a Watermill Foundation, Nova Iorque (1994).Em 2001 e 2002 Blaufuks completou estudos ainda em Nova Iorque na International Studio and Curatorial Program e em 2003 na  Location One também em Nova Iorque.

Prémios e Carreira Profissional 
A sua experiência como fotógrafo freelancer começou na revista musical Blitz passando depois pelo jornal O Independente , pela versão portuguesa Marie Claire, (entre outros) e a sua experiência como professor passou por instituições como AR.CO, ETIC, EPI, Maumaus (co-fundador), IPA em  Lisboa e  SESC no Rio de Janeiro

Desde a sua colaboração, em 1991, com o escritor Paul Bowles, que o seu trabalho se tem centrado na relação entre fotografia e literatura (embora já nos trabalhos realizados para o Caderno3 de O Independente realizasse trabalhos deste tipo).
A relação entre o público e o privado tem sido uma das matérias centrais do seu trabalho, assim como a ligação entre a recordação pessoal e a memória coletiva.
Mergulhado no mundo da fotografia e da produção de vídeo Daniel Blaufuks  é autor de livros, filmes e diários. Várias vezes premiado, o fotógrafo lisboeta coleciona prémios como : “Melhor Documentário Português” (IndieLisboa, 2011), “Best proposal” ( LOOP, Barcelona, 2008), “Shortlisted for the Pilar Citoller Award” (2007) , “Best Photography Book of the Year in the International Category” (Photoespana, 2007), “BES Photo Award”  (2007), “Melhor Realizador”, (Caminhos do Cinema Portugues, Coimbra, 2002) “Melhor Realizador”, (Vila do Conde International Short Film Festival, 2001), “Kodak National Award”(1990).

O seu trabalho encontra-se representado em várias coleções, entre as quais a da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), a Coleção Berardo (Lisboa), o Centro Galego de Arte Contemporânea (Santiago de Compostela), o Palazzo delle Papesse (Siena), a Sagamore Collection (Miami), e The Progressive Collection (Ohio).

“O Independente”

Embora Daniel Blaufuks não faça referência aos seus trabalhos para o jornal “O Independente” nas suas auto biografias, é certo que foi um dos fotojornalistas que colaboraram com o semanário português criado em 1988. A irreverência e a liberdade de expressão eram as grandes marcas deste jornal que se tornou parte da história de Portugal. Segundo Miguel Esteves Cardoso ( Diretor do Jornal aquando da sua formação) numa entrevista ao jornal Expresso (24-03-2012) descreve o jornal como : “era uma coisa moderna, normal. Uma coisa não respeitadora dos respeitinhos, e sem medo. Tinha havido o Estado Novo e a censura. Há esse medo de arreliar uma pessoa, de magoar pessoas, e nós, talvez inconscientemente, talvez irresponsavelmente, não tínhamos medo. E não tínhamos medo de não ser de esquerda. Historicamente, em Portugal, o PSD era ‘social-democrata’, como o Bernstein, era sempre preciso mostrar que se era primo direito ou em terceiro grau do Marx. Não imagina as discussões que havia em 1974. Até o CDS era pela sociedade sem classes. Esse elemento estava muito enraizado na maneira de pensar. E nós queríamos poder dizer que éramos conservadores. Ser conservador não é ser nazi, é querer que as coisas continuem, gostar das coisas como são. E isso era novo.”

“O jornal era um grupo de pessoas, mas a parte cultural era feita por mim e a parte política pelo Paulo [Portas]. O Caderno 3 tinha muitos jornalistas conservadores, mas muitos não o eram, não era importante. Fazíamos aquilo que nos apetecia.”

“O João Bénard escrevia exactamente como queria e com o tamanho que queria. Hoje em dia, não é bem assim. As pessoas compravam o jornal para ler essas pessoas. Sou fã do Vasco Pulido Valente e pensava: ‘Como é que este gajo, que eu lia quando era miúido, agora escreve para mim?’ Era uma idolatria pura, com a Agustina, com a Filomena Mónica, com o Barreto, ter esses colegas. E a fotografia era muito importante, nunca tinha havido fotografias assim. O essencial na relação com os fotógrafos, a Inês Gomnçalves, o Daniel Blaufuks, era podermos dar espaço às fotografias. E com o grafismo do Jorge Colombo podíamos ocupar a página como quiséssemos.”

“Mar e Pose” in O Independente (10 Junho de 1988)

É Junho de 1988, começa a época balnear. Anos 80 : década do atrevimento, da  exuberância , novas modas . O fim da era industrial, o início da era da informação. Roupas exageradas, vencia o mais exuberante , quem desse mais nas vistas.
Era o primeiro Verão do O Independente , o jornal atrevido, irreverente e amante da arte e da cultura. O Caderno 3 chamava-se Vida , José Fialho Gouveia diz no SOL (2011) que “O Independente foi o primeiro jornal, em Portugal, que, no fundo, criou um movimento cultural. As pessoas recordam-se mais do jornal pela política, mas não é justo. O Miguel Esteves Cardoso e o Caderno 3 – que se chamava Vida – criaram um movimento cultural. Isso é muito raro acontecer a partir de um jornal. O Independente conseguiu transformar uma geração e digo isto sem nenhum exagero.”  

Daniel Blaufuks foi o fotógrafo escolhido para ao Caderno 3 trazer o primeiro Verão.

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O trabalho do fotógrafo está surpreendente e enigmático. Quem lê o texto introdutório à obra fotográfica imagina cores, nudez , atrevimento . Daniel Blaufuks podia ter optado por fotografias a cores, básicas onde desfilassem modelitos de fatos de banho.
Porém, o trabalho fotográfico foi mais longe. As fotografias de Blaufuks anunciam-nos um verão místico, misterioso, elegante. Blaufuks com as fotografias monocromáticas faz-nos sentir o alivio da frescura do mergulho, conseguimos imaginar a suavidade de quem flutua. É automático o despertar dos sentidos que estas fotografias , ainda que algumas não sejam caracterizadas de grande nitidez, nos proporciona.
Estas capturas têm uma enorme carga visual. Aproximamos -nos de uma noção de palimsesto ( em vez de uma percepção clara da realidade da fotografia, o fotógrafo prefere levar-nos para um quadro de inúmeras possibilidades, convidando-nos à configuração de outras imagens/ emoções) .
Embora não haja um desfile de modelitos de fato de banho em contraste com uma parede branca (por exemplo) o artista consegue-nos sentir a provocação dos modelitos de fato de banho e ainda evoca uma grande exposição de sensualidade.
O contraste presente nas fotografias cria a percepção das silhuetas elegantes (na sua maioria) das modelos e a exposição apresentada permite reter a noção da água e dos seus  reflexos assim como as suas suaves ondulações que os movimentos das modelos provocam. A textura de algumas fotografias é mais granulada o que provoca uma menor definição das mesmas, porém esse efeito vem apenas acrescentar a facilidade do receptor da imagem em navegar mentalmente por outras águas .

 

Considerações Finais
O mistério e o enigma são obviamente expressos neste trabalho fotográfico de Balufuks o que  é curioso  já que , ao longo da sua evolução como fotógrafo, Blaufuks, tenha mantido essa característica na maioria dos seus trabalhos.
As sombras, as silhuetas, o não óbvio e o imaginário, a memória estão presentes em grande parte das suas obras.
Este trabalho não foi de fácil realização graças à falta de disponibilidade de informação sobre o autor e a sua época como colaborador no O Independente e, claro, à recusa de cooperação do autor com este trabalho.
No entanto, foi-me bastante satisfatório conhecer a obra deste fotógrafo e já fotojornalista .

Webgrafia

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=27266

http://www.danielblaufuks.com/

http://imagensdarepublica.ipt.pt/wp-content/uploads/2011/05/ImagensRepublica_Celia.pdf

http://www.elcultural.es/version_papel/ARTE/9753/Daniel_Blaufuks

http://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_Blaufuks

http://luispaulorodrigues.blogspot.pt/2012/03/o-independente-segundo-miguel-esteves.html

expresso.sapo.pt
Consulta e recolha de imagens Biblioteca Municipal do Porto

Ana Isabel D.M.Carvalho

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