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Biografia

Paulo Pimenta é um fotojornalista português que trabalha atualmente no jornal “Público”. Aos 46 anos, o fotojornalista conta com um grande leque de trabalhos e com uma formação profissional diversificada. Com o curso superior de Fotografia na Escola Artística do Porto (ESAP) concluído em 1994, já colaborou com o jornal “Tal e Qual”, com a extinta revista “HEI” e com a revista “Visão”. Começou a colaborar com o jornal o “Público” em 1997 mas viu o seu trabalho suspenso por alguns tempos. Durante esse período, trabalhou para o grupo Impala, nomeadamente para as revistas cor-de-rosa, área que não era de todo a sua. Ganhou destaque com alguns dos seus trabalhos como “10 Espetáculos 10 Mulheres”, “As Três Primeiras Músicas” e “Vou ao Porto”.

Em 2010 ganhou o prémio “Fotojornalismo Estação Imagem”, o único prémio de fotojornalismo atualmente existente em Portugal com o trabalho sobre a desativação da linha ferroviária do Sabor. Em 2012 alcançou o segundo lugar com o trabalho sobre o Portugal Fashion.

Além dos trabalhos publicados no jornal para o qual trabalha, também divulga e partilha o seu trabalho através de dois blogues. Um inaugurado em setembro 2006, que se intitula “Paulo Pimenta Diários” e outro, iniciado em fevereiro de 2010. 

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Para este trabalho foram escolhidos três trabalhos sobre realidades muito semelhantes: sem-abrigo a viver no Porto, famílias que vivem em casas sem condições de habitabilidade e imigrantes que vivem numa lixeira. Apesar de serem muito parecidas quanto ao tem retratado, a composição das fotografias é muito diferente e, por essa razão, decidi abordar de forma crítica a composição fotográfica das mesmas.

 “A composição refere-se à disposição dos elementos da imagem, de modo a obter um efeito unificado. (…)” (Hedgecoe, 1982:174). 

Das três fotorreportagens escolhi apenas 5 ou 6 fotografias já que estes trabalhos foram a longo prazo e têm dezenas e dezenas de imagens.

Enquanto estamos acordados:

acordados1 acordados2 acordados3 acordados4 acordados5 Este trabalho foi desenvolvido ao longo dos anos e continuará a ser desenvolvido pelo fotógrafo durante os seus percursos diários. A ideia é fotografar os sem-abrigo do Porto durante o dia, ou seja, enquanto as pessoas estão nas suas rotinas para mais uns dias de trabalho, os sem-abrigo dormem naquilo que consideram as suas casas. Embora algumas das fotografias já tenham sido aproveitadas para o jornal, a maioria delas são divulgadas no facebook do Paulo Pimenta e nos seus blogues onde tenta, através da partilha, denunciar estes casos, cada vez mais frequentes na cidade do Porto. Este trabalho também já originou duas exposições, uma na José Rosinhas Art Gallery Wall e outra na Fnac do Gaia Shopping. O formato das fotos expostas foi 20x30cm.

Para contextualizar o âmbito desta fotorreportagem, será utilizada uma citação de Luís Octávio Costa (jornalista do P3) que, no âmbito do trabalho de Paulo Pimenta, disse o seguinte: “Há cada vez mais gente na rua. Moram lá. Sobrevivem. Há cada vez mais sítios adaptados e espaços organizados. Há roupa estendida, pequenas evoluções, camas arrumadas, pinturas naïf, um ou outro colchão, uma ou outra antena de televisão, um ou outro casal, vida a dois, roupa alinhada, os restos do almoço prontos para o jantar”.

Todas as fotografias desta fotorreportagem são a cores, na sua maioria cores frias, e o ponto de vista é a nível do olhar humano, ou seja, não há planos picados nem contra-picados que superiorizem ou inferiorizem o tema fotografado. Também em todas elas, predominam as linhas retas, o que faz crer que o fotojornalista pretendia mostrar que apesar dos sem-abrigo não terem uma casa de tijolo e cimento, há uma organização das suas coisas e do que consideram a sua casa. Parece-me que em todas as fotografias a luz não foi manipulada, sendo natural (luz do dia). No que diz respeito à sombra, não há qualquer tipo de manipulação à exceção da segunda fotografia onde há claramente sombra do lado esquerdo proporcionada pelas características do local por isso não houve manipulação das imagens, ou não me é percetível. A sensação de volume, textura e formas é transmitida através dos objetos dos sem-abrigo: os cobertores, colchões, as almofadas, os sacos-cama, sacos de plástico…

Esta fotorreportagem, na minha perspetiva, embora seja um trabalho de longo prazo, mostra aquilo que embora nos passe ao lado, visualizamos todos os dias. No caminho para o trabalho, para a faculdade ou para outro sítio qualquer que se vá durante o dia, encontramos em qualquer canto sem-abrigos que dormem no meio dos cobertores, das caixas de papelão ou em casas inventadas. Estas fotografias levam-me a pensar porque razão é que eles caem num sono profundo enquanto os carros passam e apitam, enquanto as pessoas caminham e conversam. Será que é para o tempo passar mais depressa? Será que é para não sentir tanto o frio? Para esquecer as condições em que vivem? Estas fotografias fazem-me pensar nisso e na realidade que é viver na rua. 

Na casa de:

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“Na casa de” é um projeto desenvolvido pelo fotógrafo Paulo Pimenta e pelo assistente social José António Pinto que teve a duração de mais ou menos um ano. Várias pessoas abriram as portas das suas casas e mostraram habitações pobres e sem condições habitacionais.

O texto de José António Pinto sobre esta fotorreportagem descreve bem o que era pretendido com este trabalho:

“Os lugares onde as pessoas vivem reflectem uma descontinuidade dos modos de vida dentro da cidade. Há rupturas que é necessário evidenciar, desmascarar, denunciar. Uns vivem aparentemente bem alojados, sem privação, munidos de conforto, poder e prestigio social, outros sobrevivem nos territórios da exclusão, segregados, com ratos e cobras a entrarem-lhes pelas portas dentro, sem saneamento, sem casa de banho interior, com chuva a escorrer pelas paredes pálidas onde estão sempre seguradas fotografias e a etiquetagem social negativa sem caixilho”

Este trabalho deu origem numa exposição (formato 40×50) por várias lojas Fnac de todo o país. A intenção de Paulo Pimenta era mostrar o contraste entre as pessoas que se encontravam num local de consumos e a pessoas das fotografias numa realidade completamente diferente. Além desta exposição, o fotógrafo fez questão, à semelhança dos outros trabalhos, de publicar as fotografias no blog em novembro de 2011, setembro de 2012 e maio de 2013. O jornal “Público” utilizou o trabalho do fotográfo para uma fotogaleria online (pode ser visualizada em http://static.publico.pt/docs/local/pobrezaporto/)

Todas as fotografias deste trabalho foram apresentadas a preto e branco, talvez para mostrar a carga emocional da realidade mostrada. À exceção da primeira fotografia em que o ponto de vista é picado, todas as outras fotografias estão ao nível do olhar. Esta fotorreportagem têm uma característica muito peculiar, o uso da luz ou da sombra realçam determinado aspetos da fotografia, quase sempre a textura dos materiais. Também como indica John Hedgecoe, “entre os motivos potenciais para tons altos, encontram-se (…) retratos, nos quais o fundo, o vestuário e o cabelo sejam claros”, o que acontece na maioria das fotografias onde as paredes e as roupas são brancas. (1982:138). O olhar de quem vê é imediatamente direcionado para esses focos de luz. Na primeira fotografia, o olhar é direcionado para o teto de papelão em péssimas condições e para a parede do lado direito cheia de ranhuras e fissuras. Na segunda fotografia acontece o mesmo. A senhora que se encontra na cama com a face tapada pela almofada quase passa despercebida quando o nosso olhar é direcionado para a parede com buracos e quadros religiosos pendurados. “As qualidade tácteis de um motivo são transmitidas pela textura de uma fotografia. Áspera e irregular ou suave e brilhante, a textura revelada numa fotografia mostra-nos o que sentiríamos se lhe tocássemos com as mãos. A luz é a chave da fotografia de texturas.” (Hedgecoe, 1982:182). A terceira fotografia tem as linhas desequilibradas que mostram a desorganização do móvel e a luz que vem da janela mostra com clareza a madeira mal polida do armário, a tinta que sai da parede, o espelho partido sob o plástico enrolado. As últimas fotografias são diferentes na medida em que predominam as linhas retas mas o foco continua no sítio onde há mais luminosidade. Neste caso para a camisa de dormir pendurada na corda, nos garrafões e na senhora que se esconde atrás do cobertor, respetivamente.

 Esta fotorreportagem foi aquela que mais gostei de analisar por várias razões. Primeiro porque não mostra os rostos das pessoas e mesmo assim conseguimos, através das imagens, captar a infelicidade e dificuldades destas famílias. Famílias que, na maior parte dos casos, já não o são porque vivem sozinhos. Em segundo lugar, as imagens conseguem mostrar uma realidade tão próxima de nós (porque as casas são do Porto) e que nos passa ao lado. Estas fotografias deixa-me a refletir e a questionar como é possível que haja pessoas a sobreviver nestas condições no século XXI. A escolha do fotografo em fazer a exposição num local de consumo foi, na minha opinião, muito inteligente porque cria nas pessoas um certo sentimento de culpa. 

O facto de todas as fotografias estarem a preto e branco faz-me reportar a outros tempos (que não vivi mas que tenho conhecimento da pobreza que se vivia) e a imaginar que estas imagens são desses tempos mas depois apercebo-me que são recentes, são de hoje. 

Peço desculpa, Porto:

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Este é um trabalho desenvolvido pelo fotógrafo ocasionalmente, ou seja, são imagens que vai registando no seu dia-a-dia e à semelhança da primeira fotorreportagem, tenta divulgar ao máximo no seu blog e Facebook para chegar mais rápido às massas. Foi publicado no blog em janeiro de 2011.  

Este é um trabalho que também trata uma dura realidade, de pobreza, neste caso dos imigrantes que vieram para o Porto tentar ter melhores condições de vida mas que neste momento, vivem na rua.

A jornalista Mariana Pinto escreveu o seguinte sobre esses imigrantes:

 “Dizem que vieram de Leste – 30 pessoas de uma mesma família, mais 13 não se sabe de onde. Talvez tenham lido sobre os prémios que algumas autarquias portuguesas coleccionam, pátria de bons costumes em integração de imigrantes. Talvez tenham acreditado. Depois isto: barracas, lixo, plásticos a improvisar tectos e paredes, colchões entre as ruínas, ruínas entre tudo o que vemos, (…) onde o Porto deixa de ser Porto. Já muito perto de onde o Homem deixa de ser Homem “

As fotografias desta fotorreportagem são todas as cores e em todas elas há um ligeiro contraste de cores, principalmente nas duas que mostram o céu e as perspetivas (pontos de vista) do fotógrafo são diversos. A primeira fotografia tem em primeiro plano a faca e por trás, consegue-se ver mais desfocado uma espécie de tenda (provavelmente a casa dos imigrantes). O azul do céu contrasta com as sombras predominantes das extremidades. A segunda fotografia mostra aquilo que é a cama destas pessoas e as cores realçam a diversidade de objetos e materiais que estão presentes nas fotografias, nomeadamente o lixo, os plásticos, os arbustos, …

A terceira fotografia chama à atenção pelas linhas curvas e retas que formam uma espécie de túnel. Dentro deste “túnel” há um empilhamento de tecidos, uma esponja e dois guarda-chuvas, o que leva a pensar que é aqui que estes indivíduos se abrigam do mau tempo. A quarta fotografia é interessante porque a verdura é camuflada pela sombra e a lixeira é destacada pela luz do sol. Há aqui um jogo entre a luz e sombras muito interessante porque desta forma, o fotógrafo conseguiu evidenciar exatamente aquilo que queria. A última fotografia mostra o contraste da cor escura do solo com as cores dos materiais espalhados pelo mesmo, mesmo que se tratem de lixo. Do lado superior esquerdo, é visível verdura que nos passa ao lado quando se olha para a imagem.

 Conclusões

A escolha destas fotorreportagens com temas tão semelhantes não foi ao acaso. Pois, enquanto vi outros trabalhos do fotógrafo Paulo Pimenta, foram estas que me deixaram mais alerta e mais sensível, por assim dizer. 

Creio que apesar de ser um trabalho difícil de fazer, é muito importante que existam divulgações neste âmbito. É através dessas divulgações que criam impacto e mostram a realidade de algumas pessoas, que se podem fazer progressos na humanidade. Como disse Paulo Pimenta, “se puder ajudar a pessoa do lado a melhorar a sua vida porque não fazê-lo?”

Por outro lado, é um trabalho difícil de gerir para o fotografo porque está a registar todos estes momentos no local, está a observar tudo e deve ser complicado estar a invadir o espaço destas pessoas, que muitas vezes têm vergonha de mostrar e de contar as suas vidas. 

Bibliografia e Webgrafia

Hedgecoe, John, “O manual do fotógrafo”, Porto Editoria, 1982

http://www.culturafnac.pt/?s=paulo+pimenta&submit=

http://paulopimenta.blogspot.pt/

http://fotospress.blogspot.pt/

http://porto24.pt/multimedia/19112011/paulo-pimenta/#.UtlP2BDIbIU

 

Trabalho realizado por Marta Lago

Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria e Multimédia 

2013/2014

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