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Daniel Rodrigues e o fotojornalismo moderno

“Se uma imagem vale mil palavras,
quanto vale o fotojornalismo?”

O que é Fotojornalismo?

 

Serão todas as imagens publicadas? Estarão incluídas no fotojornalismo as fotografias de um documentário fotográfico? Segundo Jorge Pedro Sousa, o fotojornalismo engloba todas as imagens com valor jornalístico[1].

Andrew Burton, fotojornalista para a Getty Images vai mais longe e define o fotojornalismo como uma intersecção entre duas dimensões, a arte visual e a ética jornalística[2].

Fotojornalismo é contar uma história de uma forma única e poderosa, originalmente criada para revistas e jornais mas que hoje em dia migrou, também, para a multimédia.

No entanto, não é suficiente apenas uma imagem. O fotojornalismo, tal como o jornalismo, tem de se guiar por linhas éticas orientadoras. Ir atrás do sensacionalismo, do que choca ou carregado emocionalmente não é compatível com uma actividade isenta. É imperativo ser imparcial e não perder a objectividade mantendoo respeito pela privacidade e integridade dos sujeitos.

Storytelling

A função primordial da imagem fotojornalística é a de informar. Qualquer imagem possui informação, no entanto há uma diferença que separa uma boa imagem de uma má: a estória que esta conta, ou não.

De que forma se transmite, então, a mensagem fotojornalística? Recorrendo novamente a Jorge Pedro Sousa, este define uma série de instrumentos à disposição do fotojornalista que este pode (e deve) aproveitar. O autor começa por salientar o texto, seja ele utilizado para chamar a atenção, para complementar, ancorar ou conotar a fotografia em questão. Prossegue para o enquadramento, planos e composição da imagem que vão representar a forma como representamos o espaço e os elementos nele presentes. O terceiro instrumento é o foco de atenção, isto é, o motivo principal, o que se pretende mostrar e a relação entre este e o fundo. De seguida, importa destacar a importância dos elementos morfológicos (grão, mancha, pontos, linhas, textura, padrão e cor) que contribuem para dar sentido à imagem. O sétimo instrumento é a profundidade de campo, ou seja, a zona nítida da imagem em contraste com a zona que não está focada. Jorge Pedro Sousa complementa ainda com outros instrumentos como a semelhança e contraste de conteúdo, o movimento, a iluminação, etc. mas o que importa perceber é que por trás de uma imagem que se apreende em poucos segundos está uma trabalho intelectual exaustivo que termina na composição de uma imagem que transmite uma mensagem forte e coerente.

O Fotojornalista dentro da redacção

É este trabalho invisível por parte de um profissional da fotografia jornalística que muitas vezes é subvalorizado contribuindo para uma crescente crise na conjuntura actual. Por ser um trabalho que muitas vezes é tomado como fácil, hoje em dia, a posição do fotojornalista está fragilizada dentro da redacção de um órgão de comunicação. A crise económica em que vivemos aliada a uma restruturação da força laboral dos meios de comunicação social contribui para que, muitas vezes, estes optem por atribuir esta função ao jornalista que, na maior parte dos casos, não tem a formação indicada ou a sensibilidade para concluir com sucesso todo o processo de captura de uma imagem com valor jornalístico.

Este é um dos grandes problemas com que se depara um fotojornalista da actualidade. No entanto, existem outros. O fotojornalista é, antes de mais, um fotógrafo, alguém que eleva o seu ofício à categoria de arte. Porque a fotografia é, antes de mais, arte. E esta é outra barreira que o fotojornalista encontra nas redacções. Como nos explicou em entrevista, Daniel Rodrigues, vencedor do World Press Photo de 2013, o fotojornalista tem de se balizar pelas linhas editoriais do órgão de comunicação para o qual está a captar a imagem. Isto é, ainda que um fotojornalista entenda que a fotografia deve ser, por exemplo, horizontal ou a preto e branco ou que não deve explorar a privacidade do sujeito em questão, a linha editorial do órgão pode exigir ao jornalista que ignore a sua convicção e capture o momento dessa forma.

O futuro do Fotojornalismo

Numa era em que a fotografia é mais ubíqua que nunca e qualquer amador tem acesso a uma câmara fotográfica e software de edição a premissa sob a qual funcionava o fotojornalismo deixou de existir – a escassez, seja da perícia para capturar uma boa imagem como o acesso a uma forma de distribuição. No entanto, com o advento da Internet e mais recentemente com as redes sociais, essa escassez já não se verifica e a capa de 27 de Abril de 2009 da revista Time (que custou $30) apenas o veio confirmar.

Hoje em dia são poucos os fotojornalistas com contrato em órgãos de comunicação, no entanto o fotojornalismo não morreu. Apenas está a passar por uma fase de transição, tal como o próprio jornalismo. O facto do modelo antigo do fotojornalista a contrato de uma publicação que se desloca de um lado para o outro a fazer cobertura de histórias estar em decadência (talvez já esteja morto) não quer dizer que o fotojornalismo se incline para seguir esse destino.

Cada vez mais há uma procura de imagens (o blog fotográfico do NY Times recebe 750.000 visitantes únicos todos os meses, por exemplo), apenas é necessário encontrar a fórmula de sucesso para as entregar ao público. Caso recente de sucesso é o documentário fotográfico. A característica deste sucesso pode ser, novamente, a escassez. Escassez agora não de conteúdo mas de qualidade na entrega de uma imagem que seja uma narrativa profunda sobre assuntos relevantes tanto interna como externamente.

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[1] SOUSA, Jorge Pedro. Fotojornalismo – uma introdução à história, às técnicas e à linguagem da fotografia na imprensa (2002). Porto. Disponível em:http://www.bocc.ubi.pt/pag/sousa-jorge-pedro-fotojornalismo.pdf

[2] Disponível em: http://www.andrewburtonphoto.com/about/

Trabalho realizado por:

Ana Isabel Carvalho | Ana Luísa Azevedo

Diana Tinoco | Diogo Neuparth | Marta Pinha

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